Pensar x raciocinar





Você sabia que existe um imenso abismo entre as palavras PENSAR & RACIOCINAR?

O que diz o dicionário sobre cada uma delas? Parecem duas palavras com a mesma semântica, pois é comum você estar raciocinando e quando alguém pergunta:

-O que você está fazendo?

Você responde simplesmente, eu estou pensando. Pois no momento da resposta a esta pergunta você raramente perceberá o grande abismo do sentido destas duas palavras que aparentemente são tão similares.

Pesquisando em qualquer dicionário iremos encontrar o que segue:

Pensar:

do Lat. pensare, v. int., formar ideias; raciocinar, cogitar; refletir; ter certo parecer; julgar; prever; v. tr., imaginar; julgar; supor; calcular; ter no espírito;

 

Raciocinar:

 

do Lat. ratiocinari v. int., fazer uso da razão para depreender, julgar ou compreender; fazer raciocínios; ponderar; apresentar razões; discorrer; pensar com lógica.

E o que é lógica?  Veja o que diz o dicionário:

do Gr. logiké, arte de raciocinar s. f., ciência que tem por objeto o estudo dos métodos e princípios que permitem distinguir raciocínios válidos de outros não válidos; ligação de idéias; coerência; parte da Filosofia que estuda as leis do raciocínio;  continuidade no raciocínio.

Pelo visto, para raciocinar, temos que pensar com lógica, e não parece uma tarefa fácil se não estivermos acostumados a esta prática. O mais impressionante é que, quando falamos dos animais irracionais, percebemos que o ser humano tem esse diferencial perante a ciência, pois somos considerados animais racionais.

Há quem se aproveite dessa “dádiva divina”, mas há também quem sequer tenha noção da importância do poder do raciocínio, apesar de todos nós termos essa feliz capacidade. Lógico que há exceções.

Observem que na última definição da palavra raciocinar você encontra a frase, “pensar com lógica”. Isto significa que podemos simplesmente pensar sem lógica, ou seja, simplesmente pensar, mas se pensarmos com lógica, concluímos que estamos raciocinando.

Imagine um engenheiro um advogado e um arquiteto. Todos olhando para um mesmo edifício exuberante bem localizado o que provavelmente diria cada um deles?

O arquiteto: – Impressionante este edifício, mas poderia estar voltado para o nascente;

O engenheiro: – Impressionante este edifício, mas será que sua estrutura vai suportar a força dos ventos?

O advogado: – Impressionante este edifício, mas como as autoridades competentes autorizaram sua construção tão próxima ao aeroporto?

Como podemos observar cada pessoa pensa de acordo com o seu ponto de vista, a sua educação, os seus dogmas religiosos, seus costumes e etc., no entanto, quando raciocinamos sobre certa coisa ou certa situação, temos que partir de duas proposições, ou seja, duas idéias ligadas entre si, para chegarmos a uma conclusão, Pois esta é a regra básica do raciocínio.

Vamos fazer um pequeno exercício de raciocínio lógico. Para isto, temos que partir de duas premissas, uma maior e outra menor, com uma ligação de idéias entre elas para chegarmos a uma conclusão, por exemplo:

Se quisermos provar que todos somos irmãos e, como biologicamente seria impossível, então vamos partir para a metafísica, como vemos abaixo:

– Premissa maior: Deus existe;
-Premissa menor: Todos somos filhos de Deus, portanto…

– Conclusão: Somos todos irmãos.
Quando falamos de Direito, temos que raciocinar de maneira lógica acima de tudo, até mesmo raciocinar sobre a forma pela qual cada grupo social pensa, para que possamos compreender o que se chama de costumes e mentalidade de um povo ou de uma nação, e daí formar princípios gerais que servirão de base para todo um ordenamento de regras que certamente deverão ser criadas de forma harmônicas entre si.

Este conjunto de regras ou leis que ditam as condutas individuais sob pena de uma sanção(seguindo uma lógica do Direito ou lógica jurídica), assim como as condutas das instituições com relação às pessoas e vice versa, mais tarde entenderemos que se trata de um ordenamento de regras ou simplesmente ordenamento jurídico.